
A "Nau catrineta" de Rubem Fonseca flutua entre dois espaços, duas culturas, duas literaturas - a brasileira e a portuguesa - lendo a Historia do Brasil de forma macabra, irônica e fantástica, pelo riso, hesitação, e, ao mesmo tempo , estranheza que causa no leitor, com a emergência de um "Outro" recalcado pela cultura.
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Renego de ti demônio
Que me estavas a tentar
A minha alma é só de Deus
O corpo dou eu ao mar.
Tomou-o um anjo nos braços
Não nos deixou afogar,
Deu um estouro o demônio,
Acalmaram vento e mar
E à noite a Nau Catrineta
Estava em terra a varar.
(Fonseca,1943,103)
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