segunda-feira, 28 de abril de 2008

És a minha brisa


És a minha brisa
Que sopra de mansinho
Doces palavras de carinho
Mitigando a minha vida
Este meu efémero destino

És a minha brisa,
Que na noite de Inverno
Aquece o frio da saudade
Que subsiste na minha alma.
Ávida de total liberdade

És a minha brisa
Que reacende a chama
E exalta a minha alma
Nutrindo o meu ser sonhador

És a minha brisa que refresca
O calor ardente do meu sentir
Mas também o meu próprio querer
E nesta ambivalência de sensações
Vive em desassossego o meu ser
Eu sinto-te de mansinho
Eu anseio-te incessantemente
Neste meu corpo falto de carinho

.:: Liliana Maciel ::.

segunda-feira, 31 de março de 2008



Para lá de ti


Sei que para lá de ti,
há outros rios,

outros sóis,

outras marés,

que eu não aprendi.


Mas quero-te,

apesar daquilo que não és.

Sei que para lá de ti,

há castelos com tesouros que não mereço,

um céu que ri.

E amo-te ainda,

por aquilo que desconheço.


Sei que para lá de ti,

espreitam negruras e carreiros de solidão,

que já percorri.

Partir, será ainda solução?
Manuel Filipe

quinta-feira, 27 de março de 2008

IRONIC
Bem, a vida tem um jeito engraçado de aprontar com você
Quando você pensa que tudo está O.K. e tudo está indo bem
E a vida tem um jeito engraçado de te ajudar quando
Quando você pensa que tudo está dando certo e tudo explode
Na sua cara
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008


O Menino Azul

O menino quer um burrinho para passear.
Um burrinho manso, que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.
O menino quer um burrinho que saiba dizer o nome dos rios,
das montanhas, das flores, - de tudo o que aparecer.
O menino quer um burrinho que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos e com barquinhos no mar.
E os dois sairão pelo mundo que é como um jardim
apenas mais largo e talvez mais comprido e que não tenha fim.
(Quem souber de um burrinho desses, pode escrever
para a Ruas das Casas, Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)
Poema: Cecília Meireles - Imagem: Elena Silva

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008


OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Carlos Drummont de Andrade
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos
edifíciosprovam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.



Meu coração é um cômodo


de fendas infinitas cujas

águas escorrem sem cessar;

de infinitas fendas sujas:

águas morrem sem cessar.

De umas falhas aberturas

armadas num espaço raso;

de umas falsas urdiduras

armadas num passo raso.

Disforme informe inacabado

de prestes alicercers imperdoáveis;

diferente indiferente estesiado

de prestes alianças imperdoáveis.

Meu coração é um incômodo.
Talvez cresço livre, um jovem inteligente,
ou conheça as drogas e morra de forma indigente.
Procuro resposta nessas regras do social
Mesmo quando um grande me force a viver calado
Por que cidadão que tenta ser cidadão,
É humilhado de forma imoral.
pedaço de poema....

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008


Lá vem Deus
de novo
cobrar deveres
não sou bom
já havia dito
antes de nascer.
Os anjos nunca dizem nada
até porque já são a mais pura verdade
que se possa imaginar
eles vão além dos pensamentos
estão sempre olhando pra gente
mas não julgam
é lógico
isso é trabalho de Deus
que está ocupado agora
na construção de um monte de mundos
que provavelmente terão problemas também.
Pra isso servem os anjos:
ficar olhando as burradas
que Deus faz por aí.
Font. Sopa Diet

SONETO
Horizonte cerrado, baixo muro,
A névoa como uma montanha andando,
O céu molhado como mar escuro.
Por muito tempo fiquei olhando
A terra transformada num monturo.
Por muito tempo ainda ficou ventando.
Cravei no espaço lívido o olhar duro
E vi a folha no ar gesticulando,
Ainda agarrada ao galho, antes do salto
No abismo, a debater-se contra o assalto
Do vento que estremece o mundo, e então
Sumir-se em meio àquele sobressalto,
Depois de muito sacudido no alto
E de muito arrastada pelo chão...
Dante Milano...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008


A "Nau catrineta" de Rubem Fonseca flutua entre dois espaços, duas culturas, duas literaturas - a brasileira e a portuguesa - lendo a Historia do Brasil de forma macabra, irônica e fantástica, pelo riso, hesitação, e, ao mesmo tempo , estranheza que causa no leitor, com a emergência de um "Outro" recalcado pela cultura.
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Renego de ti demônio
Que me estavas a tentar
A minha alma é só de Deus
O corpo dou eu ao mar.
Tomou-o um anjo nos braços
Não nos deixou afogar,
Deu um estouro o demônio,
Acalmaram vento e mar
E à noite a Nau Catrineta
Estava em terra a varar.
(Fonseca,1943,103)

Até onde vai o amor ?


Sabe o que é duas pessoas se gostarem ? Éramos nós dois, eu e Maria. Sabe o que é duas pessoas perfeitamene sintonizadas ? Éramos nós, eu e Maria. Meu prato predileto é arroz, feijão, couve à mineira, farofa,e linguiça frita. Imagina qual era o de Maria ? Arroz, feijão, couve à mineira, farofa e linguiça frita. Minha pedra preciosa é o rubi. A de Maria, estás a ver, era o Rubi. Número da sorte o 7, cor o Azul, dia Segunda-feira, filme, de faroeste, livro O Pequeno Principe, bebida Chope, colchão o Anaton, tudo igualzinho entre eu e ela, uma maravilha. O que nós fazíamos na cama, rapaz, não é para me gabar, mas se fosse no circo e a gente cobrasse entrada nós ficávamos ricos.
Na cama nenhum casal jamais foi tomado de tamanha loucura resplandescente, foi capaz de performance tão hábil, imaginativa, original, pertinaz, esplendorosa e gratificante quanto a nossa. E repetíamos várias vezes por dia. Mas não era isso que nos ligava. Se você não tivesse uma perna eu continuaria te amando, me dizia ela. Se você fosse vesga eu não deixaria de te amar, eu respondia. Se você fosse barrigudo e feio eu continuaria te amando, dizia ela. Se você fosse marcada de varíola eu continuaria te amando, ela dizia. E nós estávamos trocando essas juras quando uma vontade de ser verdadeiro bateu em mim, funda como uma punhalada, e eu perguntei a ela, e se eu não tivesse dentes, você me amaria ?, e ela respondeu, se você não tivesse dentes eu continuaria te amando. Então eu tirei a minha dentadura e botei em cima da cama num gesto grave, religioso e matafísico. Ficamos os dois olhando para a dentadura em cima do lençol, até que maria se levantou, colocou um vestido, e disse, vou comprar cigarros. Até hoje não voltou. Me explica o que foi que aconteceu . O amor acaba de repente ? Alguns dentes, míseros pedacinhos de marfim, valem tanto assim ?
Feliz Ano Novo - Rubem Fonseca

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Intoxicante
porém colorido
embrigante
de fato, divertido
alucinante
enfim... proibido.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Heavy Metal do Senhor



O cara mais underground que eu conheço é o Diabo
Que no inferno toca cover das canções celestiais
Com sua banda formada só por anjos decaídos
A platéia pega fogo quando rolam os festivais


Enquanto isso Deus brinca de gangorra no playground
Do céu com santos que já foram homens de pecado
De repente os santos falam "toca Deus um som maneiro
"E Deus fala "aguenta vou rolar um som pesado"


A banda cover do Diabo acho que já tá por fora
O mercado tá de olho é no som que Deus criou
Com trombetas distorcidas e harpas envenenadas
Mundo inteiro vai pirar com o heavy metal do Senhor.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

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"A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal."


Ando cometendo essa locura....